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9 imagesContruído para o Euro 2004, o Estádio Municipal de Aveiro,5º em capacidade do país, ecoa um passado recente, pleno de ilusões de prosperidade. A caminho de se tornar "ruina romântica", é perfeita alegoria de um país ciclotimico que agora se confronta duramente com a sua real dimensão.
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14 imagesUma das mais encantadoras explicações para a origem do nome Pirinéus, cruza-se com a mitologia grega. Parece pois que Hércules teve a dado passo como amante uma jovem princesa, bela como todas as jovens princesas, Pirine de seu nome, filha de um certo Rei Bébrix, senhor da região. Desgraçadamente, a jovem ao fugir pelos montes para se juntar ao seu amado, acabou devorada por um urso. A justa homenagem à jovem apaixonada será a cordilheira que hoje tão bem conhecemos, e onde o visitante fácilmente percepciona outros céus e outras vozes. Mais info sobre o assunto em celtiberia.net
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17 imagesComo muitos da minha geração, os de sessentas, desenvolvi um interesse infanto-juvenil pela 2ª guerra mundial, que raiava o obsessivo. A minha erudição, era largamente assente em três respeitáveis catrapázios editados pelas Seleções, no consumo voraz de tudo o que era filme de guerra e com a frequência dos livros do Sven Hassel que faziam o contraponto possível ao discurso do lado vencedor. Isto para dizer que agora, passados 30 anos sobre estes entusiasmos, pode finalmente, no embalo de umas férias em familia, marchar sobre a Normandia, as suas praias, cemitérios e demais atrações. Retive que gostei muito da estratégia de (quase não) conservação das fortificações alemãs de costa. Ao permitir que os efeitos da passagem do tempo vá inexorávelmente fundindo as ruinas na bucólica paisagem normanda, obtem-se uma bela alegoria que fala com o tempo que as grandes feridas levam a sarar. Também no belissimo cemitério alemão em La Cambe, o tempo passa sereno, num ambiente de perfeita geometria romântica, que de certa forma contrasta com o mais espectacular, mas mais movimentado e buliçoso cemitério americano de Colleville-Sur-Mer onde o sentido de espectáculo de além atlântico impõe uma cenografia mais esmagadora.
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41 imagesNeste 2013, comemora-se o centenário do nascimento de Álvaro Cunhal, multiplicando-se a publicação de volumes mais ou menos laudatórios da sua vida e percurso. Acho assim apropriado partilhar este conjunto de fotos de 15 de junho de 2005, em que uma imensa multidão se acotovelava na cidade para saudar a passagem do cortejo fúnebre do mítico comunista. Nessa tarde quente, também se fez história no adeus a uma parte incontornável do século XX português. Outras figuras políticas e partidárias tiveram e terão o justo direito a grandes e sentidas exéquias, porventura mais pomposas e mais “de Estado”. Mas a devoção quase religiosa com que Cunhal foi saudado na sua última viagem por esta Lisboa hoje tão cinzenta, não voltará a ter igual.
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14 imagesAs noites dos Santos Populares são um bálsamo para o país. Em Lisboa, Santo António acorda e desenvergonha uma cidade inteira. Que se mistura sem receios e que dança ao luar e que namora nos passeios e no metropolitano enquanto se cobre da excentricidade que casa o religioso e o pagão. E que vive. E que nos faz acreditar que vamos resistir. Bons Santos para todos.
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42 imagesConjunto de imagens relativas ao mundo da músicas em três momentos distintos; numa produção da La Boheme no São Carlos, no workshop de verão para jovens músicos em Montalegre, promovido pela Orquestra Metropolitana de Lisboa, e num concerto também da OML no Palácio da Ajuda. Set of pictures from three musical settings. At the backstage of La Boheme production at Lisbon São Carlos Opera House.; during a summer workshop for young musicians held by Lisbon Metropolitan Orchestra (OML), and during a concert by the same Orchestra at Ajuda National Palace.
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19 imagesModorrenta tarde de sábado, a senhora e a menina abalaram para um casamento, bola na tv só mais à noitinha. Ocasião ideal para excursão ao mundo do erotismo, na procura de um momento de "Arte & Ensaio", que fica sempre bem. No Salão Erótico de Lisboa, o ambiente, é como seria de esperar, visualmente estimulante. Os Artistas (e uso a expressão sem ponta de ironia), são na sua maioria muito profissionais, atraentes, competentes e empenhados. Pareceu-me no entanto, que a pouca produção do ambiente industrial do gigante pavilhão da FIL, cortava um pouco o que antecipava ser a atmosfera de um evento do género. Partilhei esta reflexão com o Sr. do stand da Louça das Caldas (a quem adquiri por 3€ um vigoroso frade), que me afiançava, com a autoridade de quem corre todas as feiras eróticas ibéricas, que esta nossa é das mais categorizadas. Em Espanha, relata-me , "as mulheres são uma miséria". Mais uma machadada na mania de dizer mal do que é nosso. Parabéns à organização do simpático certame que já se constituiu como um bom costume sazonal. Em resumo, fotos de uma tarde educativa.
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24 imagesTive recentemente ocasião de acompanhar um casting para uma companhia de dança; no caso, Olga Roriz recebia no CCB mais de uma centena de aspirantes a participar na sua coreografia de "A Sagração da Primavera". São momentos emocionantes. Não há amiguismos, favorecimentos, ou cunhas de faces mais ou menos ocultas que possam valer a um bailarino em audição. Só a intensidade desesperada do esforço físico e mental vale na busca do momento transcendente da comunhão entre corpo e música. Os corpos projectados num desafio à gravidade e à dor, estas criaturas dançam a alma. A voz de Roriz é um sussurro que entre um silêncio reverente se projecta claríssimo pela vasta sala, entrecortado apenas pela respiração ofegante dos corpos suados. Consecutivamente, sentencia inapelável o desfecho: dos 120 bailarinos apenas 17 vão acompanhar a mestra na aventura. É sobretudo para os que partem que deixo a minha homenagem. Porque sei que de seguida, noutro auditório, perante outro juiz, voltaram a forçar as articulações até ao limite, na busca do triunfo sobre si próprios e no reconhecimento do seu valor. Este elogio do esforço, ao qual estes maravilhosos seres nunca viram a cara, e que a todos nos deve inspirar. Porque o essencial, é não desistir perante o maior juiz de todos, nós mesmos.
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16 imagesJ.G. Ballard, na sua novela distópica "Kingdom Came", tinha-nos chamado a atenção para o fenómeno dos mega centro comerciais enquanto microcosmos autosuficientes, agregadores de todas as pulsões, sempre com o consumo em pano de fundo. Lembrei-me disto, quando a pedido da "Notícias Magazine" visitei o espaço Kidzania, no recém inaugurado e gigante Dolce Vita Tejo, na periferia de Lisboa. Em resumo, o Kidzania é uma espécie de parque infantil, que permite aos infantes o "brincar aos crescidos", na vertente da vida urbana contemporanea. Assim, o Kidzania tem um banco onde os "cidadãos" se dirigem após o ingresso, para ter acesso á sua quota parte de "Kid dinheiro" que depois podem investir em actividades lúdico-formativas, como "tirar" a carta de condução, frequentar um centro de estética, ir á discoteca ou ao supermercado etc. Paralelamente, podem "trabalhar", seja a fazer hamburgers, num hospital, nos CTT ou no INEM, sendo naturalmente recompensados com a quantidade de "Kid dinheiro" que permite o prolongar da experiencia, que conta com a presença de "delegações" da PSP, (com direito a cela de prisão), bombeiros, tribunais e por aí fora, tudo sempre devidamente enquadrado pela presença maçica das mais reconheciveis marcas comerciais do quotidiano "real" Visualmente, o ambiente tem um toque "eerie" (lá é sempre de noite e há remendos no céu), um pouco David Lynch, o que torna o espaço muito interessante. E saí dividido entre os óbvios méritos pedagógicos de algumas das experiencias propostas, e a sensação que estava na presença do "Portugal dos Pequenitos" da idade do consumo, com a Universidade de Coimbra substituida pelo Continente, e a McDonalds a fazer as vezes de Mosteiro da Batalha. Em todo o caso, interessantes (inquietantes?) sinais dos tempos, cujas imagens convido a ver.
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19 imagesNo virar do século, Portugal viveu um ponto alto na sua proverbial curva ciclotímica. O maná dos fundos estruturais da UE atingiam o seu pico. O sucesso da Expo 98, seguido pelo sentimento de unidade nacional à volta da questão de Timor Leste, criaram uma dinâmica nacional de optimismo que fez confiar que os amanhãs cantavam. O advento do milionário Euro 2004, com as ruas engalanadas de bandeiras e tomadas de assalto por multidões exuberantes, foi o canto do cisne deste tempo de grandes excitações. O resultado do jogo final não foi mais que o regresso do fado português do "faltou-nos um bocadinho para sermos felizes".
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15 imagesCerta vez, em visita a uma exploração agrícola no Paraguai, vi algo que me ficou a bailar na memória até hoje. Nuns terrenos contíguos à roça, existia uma pequeníssima comunidade de índios Guarani, que vivia numa espécie de mini reserva. As condições de insalubridade reforçavam a sensação da decadência de um povo que teve o destino traçado com a chegada dos europeus no séc. XVI. Mas apesar de tudo, sorriam para os turistas. Menos uma pequenita, que se escondia receosa do homem branco com a sua máquina fotográfica. A História dá-lhe toda a razão.
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18 imagesA maioria dos da minha geração cresceu num tempo e lugar onde as questões éticas decorrentes dos direitos dos animais eram virtualmente não existentes, pelo que a adesão à estética e rituais da chamada Festa Brava era feita sem interrogações de maior. Em 2004, por encomenda da infelizmente extinta revista Grande Reportagem, desloquei-me, na companhia da redatora Marta Curto à praça de Montemor para uma reportagem sobre o último dia de vida de um touro de lide, desde o momento em que é retirado da imensidão da lezíria até à viagem final para o matadouro. Importa desde já dizer que não tivemos por parte dos “Homens dos Touros” nenhum entrave à realização do trabalho que fomos fazer. Foi um dia de contacto intenso com a natureza contraditória do ser humano, capaz de ser a um tempo algoz e amante. Resta dizer que o mundo taurino, com a sua intensidade estética sempre foi um magneto para os fotógrafos. Depois desta tarde, voltei e voltarei a fotografar touradas. Mas agora, sempre assombrado pelo olhar de desconcerto que vi naquele touro. “Do I contradict myself? Very well, then, I contradict myself; I am large -- I contain multitudes.” Walt Whitman
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